Entre as castas brancas menos conhecidas do Douro, o Donzelinho Branco destaca-se como uma verdadeira raridade. Antiga — referenciada já no século XVI — e hoje pouco plantada, é uma casta que sobrevive graças ao interesse de produtores que reconhecem o seu carácter singular e potencial enológico.
Cultivada sobretudo no Douro e em Trás-os-Montes, é uma variedade de cachos e bagos pequenos, naturalmente pouco produtiva e exigente na vinha. Brota cedo, o que a torna sensível às geadas primaveris, mas apresenta boa resistência a doenças fúngicas. A sua baixa fertilidade contribui para rendimentos reduzidos, mas também para vinhos de maior concentração e identidade.
Historicamente utilizada em lotes de Vinho do Porto Branco, começa hoje a afirmar-se em versões monocasta, revelando uma personalidade distinta. O seu perfil aromático é invulgar e marcadamente terpénico, com notas florais intensas, sugestões de madressilva e nuances herbáceas que recordam alecrim. Surgem ainda apontamentos cítricos e frutados subtis, sempre com grande frescura.
Na boca, apresenta boa acidez, textura sedosa e um registo mineral elegante. Conquista pela originalidade e precisão. A sua frescura torna-a especialmente versátil à mesa, harmonizando com mariscos, peixes grelhados e pratos onde as ervas aromáticas encontram eco no copo.
O Donzelinho Branco é uma dessas castas que desafia convenções: discreta na presença, marcante na memória.